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Expansão do ensino integral em Mato Grosso do Sul redefine rotina de famílias trabalhadoras

Expansão do ensino integral em Mato Grosso do Sul redefine rotina de famílias trabalhadoras
Expansão do ensino integral em Mato Grosso do Sul redefine rotina de famílias trabalhadoras

Com 213 unidades em tempo estendido, modelo atende mais de 39 mil alunos e forma rede de apoio crucial para mães autônomas.

A ampliação da jornada escolar na rede estadual de Mato Grosso do Sul tem ultrapassado as fronteiras pedagógicas para solucionar um gargalo direto da economia doméstica. Presente nos 79 municípios, o modelo de ensino integral alcançou 213 unidades em 2026 — representando cerca de 62% de toda a estrutura —, o que assegura a mais de 39 mil estudantes não apenas mais tempo em sala, mas uma rede de apoio que permite aos responsáveis manterem suas atividades profissionais.

O impacto prático das horas adicionais se reflete no cotidiano da massoterapeuta Patrícia Espíndola, de Campo Grande. Profissional autônoma que se divide entre atendimentos em salão, sessões noturnas a domicílio e a faculdade, ela encontrou na Escola Estadual Professor Henrique Ciryllo Correa um ponto de equilíbrio logístico para a filha Manuela, de 12 anos.

"A escola integral ajudou muito na minha rotina por conta do trabalho", afirma Patrícia, destacando a praticidade de não precisar arranjar cuidadores no meio do expediente. "Como sou autônoma, o fato de ela estudar o dia todo facilitou bastante, porque não preciso buscar na hora do almoço ou organizar alguém para ficar com ela."

A dificuldade de alinhar os horários escolares aos turnos de trabalho recai historicamente sobre as mulheres, que frequentemente reduzem jornadas ou abrem mão de oportunidades profissionais quando falta uma infraestrutura segura para os filhos. Com a permanência de Manuela no colégio, a adolescente preenche o contraturno com basquete, badminton e xadrez, enquanto a mãe garante sua carga horária. No fim da tarde, a avó assume os cuidados até o término da agenda da massoterapeuta.

A política pública em torno da educação integral ganhou escala durante a administração do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição. A estratégia de universalização estadual, que já havia batido a meta de instalar pelo menos uma escola do tipo por município em 2024, atua para reduzir abismos sociais. Enquanto famílias de alta renda arcam com cursos complementares, para muitos jovens da rede pública a escola é a única via de acesso a atividades esportivas e culturais supervisionadas.

A ampliação do tempo de permanência, contudo, eleva a pressão sobre a qualidade do ensino ofertado. Para o diretor da Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, Marcio Beretta Cossato, reter o aluno no ambiente escolar exige estrutura pedagógica correspondente. "É fundamental que a jornada ampliada esteja acompanhada de um projeto pedagógico bem estruturado, de espaços adequados e de profissionais preparados para proporcionar diferentes experiências de aprendizagem", avalia o gestor de uma das unidades pioneiras da modalidade.

Para suportar a nova dinâmica, o Estado conduziu reformas em mais de cem prédios no início de 2025. O desenho da iniciativa prevê a oferta de três refeições diárias, acompanhamento por psicólogos e assistentes sociais, além do treinamento de um contingente de 25 mil profissionais.

O governador defende a premissa de que o ambiente prolongado prepara o estudante para o mercado, mas faz um alerta sobre a função central da instituição. "A escola não pode ser reduzida a um lugar onde os pais deixam os filhos enquanto trabalham. Sua missão principal continua sendo educar", argumenta Riedel, reconhecendo que a eficiência da educação pública interage diretamente com a estabilidade socioeconômica das famílias.

O próximo desafio da rede, composta por um total de 352 escolas, é universalizar o acesso naquelas unidades onde apenas turmas parciais operam no modelo estendido. Isso demandará aportes progressivos em transporte, alimentação e contratação de servidores, acompanhados do monitoramento de índices de evasão e aprendizado.

Para os pais, o termômetro prático do modelo tem sido a adesão espontânea dos próprios alunos. Segundo Patrícia, a retenção na escola deixou de ser uma imposição da rotina para se tornar o interesse principal da filha. Ao tentar buscar a adolescente antes do encerramento das aulas extras, a massoterapeuta frequentemente esbarra na frustração de Manuela, que insiste em prolongar sua permanência nas quadras e atividades do colégio.


Pantanews — Informação regional em tempo real.

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