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Catan visitou diretoria da Santa Casa três dias antes da Operação Antidotum

Catan visitou diretoria da Santa Casa três dias antes da Operação Antidotum
Catan visitou diretoria da Santa Casa três dias antes da Operação Antidotum

Encontro institucional antecedeu ação do Ministério Público que prendeu a presidente do hospital por suspeitas de fraudes milionárias

Campo Grande — Três dias antes da deflagração da Operação Antidotum, que resultou na prisão preventiva da presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, o candidato ao governo de Mato Grosso do Sul João Henrique Catan (NOVO) se reuniu com a diretoria do hospital. A visita ocorreu na terça-feira (8) e, segundo a instituição, integrava uma agenda institucional voltada aos postulantes ao Executivo estadual.

"A instituição está de portas abertas para receber todos os candidatos", registrou o portal oficial do hospital ao relatar o encontro. A declaração foi seguida por outra visita política no dia subsequente, quarta-feira (9), quando Fábio Trad (PT), também na disputa pelo governo, foi recebido pela mesma cúpula administrativa.

O cenário institucional mudou drasticamente na sexta-feira (11). O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou a Operação Antidotum para desarticular um suposto esquema de fraudes e desvios de recursos públicos na Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande (ABCG). A ofensiva cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão, estendendo-se por Campo Grande, Dourados e até Goiânia (GO).

O núcleo das investigações foca na digitalização de prontuários médicos. O contrato sob escrutínio previa repasses de R$ 1,8 milhão anuais durante três anos, somando R$ 5,4 milhões. Os investigadores apontam que, apenas no primeiro ano de vigência, cerca de R$ 1,4 milhão teria sido desviado — quantia que representa quase a totalidade do repasse anual estipulado.

As apurações conduzidas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) também revelaram indícios de irregularidades na Santa Casa Saúde. Contratos teriam sido firmados com empresas pertencentes ao mesmo grupo e vinculadas a membros da diretoria da instituição. Essas corporações operavam formalmente no mesmo endereço, mas o imóvel encontrava-se desocupado.

Somente em 2025, o braço de saúde do complexo efetuou R$ 9,6 milhões em pagamentos a essas firmas, gerando um prejuízo estimado em ao menos R$ 3,5 milhões. Para encobrir o fluxo financeiro, as apurações indicam que a diretoria omitiu contratos e prestações de contas de órgãos de fiscalização interna e estadual, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado (CGE-MS).

Enquanto o valor total do prejuízo à instituição ainda é objeto de investigação — sob a garantia do direito à ampla defesa e ao contraditório —, os candidatos que visitaram o complexo hospitalar na semana das prisões foram procurados pelo veículo Fato67 para comentarem as denúncias. Até o momento, o espaço segue aberto.


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