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Gaeco desarticula esquema familiar que sugou R$ 27 milhões dos pagadores de impostos em MS

Gaeco desarticula esquema familiar que sugou R$ 27 milhões dos pagadores de impostos em MS
Gaeco desarticula esquema familiar que sugou R$ 27 milhões dos pagadores de impostos em MS

Campo Grande (MS) – O dinheiro do pagador de impostos não é propriedade de grupos de interesse, e as forças da lei voltaram a deixar isso claro nesta terça-feira (7). O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Gutenberg, desarticulando uma teia criminosa estruturada em verdadeiros clãs familiares. O esquema sob investigação teria desviado impressionantes R$ 27 milhões dos cofres públicos.

A força-tarefa implacável cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão em oito municípios, varrendo endereços em Mato Grosso do Sul (Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho), além de estender os braços da lei até São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

O Escárnio com a Saúde e a Educação

De acordo com o Gaeco, a quadrilha orquestrava um sistema de cartas marcadas. O grupo enriquecia burlando a livre concorrência por meio de licitações com suspeita de direcionamento e dispensas indevidas para a compra de livros paradidáticos.

Ainda mais grave é o escárnio contra o cidadão mais vulnerável: a investigação apura a participação de funcionários públicos na manipulação do Core (Complexo Regulador Estadual), controlando de forma ilícita o acesso a consultas, exames, cirurgias e leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) na Capital. Agentes do Gaeco permaneceram por cerca de duas horas no órgão e saíram levando um malote carregado de provas materiais.

A Teia Familiar Atrás das Grades

A operação expôs como negócios, política e laços de sangue se misturavam na apropriação da máquina pública. Entre os alvos que perderam a liberdade nesta terça-feira estão:

  • O Núcleo da Saúde e Política: A cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e seus filhos, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar. Também foram presos o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior (conhecido como Junior Vasconcelos), e o servidor da Educação de Porto Murtinho, Marcio de Souza — este último preso em flagrante portando ilegalmente uma arma de fogo. O coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlo Britto Burgatt, e sua filha, Jessyka Duarte Burgatt, também foram capturados, evidenciando o aparelhamento no setor de saúde.

  • O Núcleo do Entretenimento e Veículos: Em Campo Grande, pai e filho do ramo de carros e vida noturna foram parar atrás das grades. Paulo Rogério de Melo, conhecido como "Paulinho Atalaia", e Douglas Henrique de Melo. Paulo é dono da Atalaia Veículos e já foi proprietário das famosas casas de shows Jeremias e Bartholomeu. Douglas, por sua vez, consta como dono da Atalaia Eventos e Produções Ltda. (que opera a tabacaria Lord Pub) e ainda promove em suas redes sociais o pub O Irlandês. No Instagram, onde ostenta o lema "Vendo e falo de veículos", Douglas atua como garoto-propaganda dos carros da garagem que está em nome de seu pai.

  • O Núcleo Editorial Paulista: A operação chegou a Joatan Gomes Peixoto, dono da Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços), sediada em São Paulo (SP). Ele e seu filho, Matheus Oliveira Peixoto, foram alvos de mandados de prisão e deverão passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (8).

Armas, Dinheiro Lacrado e Reação Oficial

A ostentação oriunda do possível esquema ficou evidente nas apreensões. Durante as buscas, as autoridades recolheram R$ 69.795 e 907 dólares em espécie. Detalhe que escancara a audácia do grupo: parte dos maços de dinheiro ainda estava intacta, com o lacre original do Banco Central.

Em Dourados, a cultura de impunidade também encontrou seu limite. Durante a busca e apreensão na casa de uma cirurgiã-dentista investigada, o marido dela recebeu voz de prisão em flagrante por posse ilegal de armamento. No local, a polícia apreendeu uma espingarda calibre 22 e munições calibre 38.

No Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada), advogados dos citados compareceram em busca de informações sobre seus clientes, mas adotaram o silêncio e preferiram não se manifestar antes de terem acesso integral aos autos da investigação.

Diante do peso das evidências levantadas pelo Ministério Público, o Governo do Estado precisou agir. Em nota oficial, informou que todos os servidores públicos investigados serão sumariamente afastados ou exonerados. A Controladoria-Geral do Estado (CGE) e a SES foram acionadas para realizar uma auditoria completa nos procedimentos suspeitos, buscando limpar as pastas envolvidas nesse esquema que lesou gravemente a sociedade sul-mato-grossense.

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