Expansão da cadeia da celulose gera empregos no interior de MS
Cursos e processos seletivos em Água Clara e Santa Rita do Pardo visam preparar a mão de obra local
O Estado de Mato Grosso do Sul está experimentando uma movimentação significativa no mercado de trabalho devido à expansão da cadeia da celulose, especialmente em Água Clara e Santa Rita do Pardo. Antes mesmo da chegada de novas fábricas, iniciativas como MS Qualifica e Vale da Celulose têm promovido a formação técnica de trabalhadores locais, destacando a necessidade de qualificações para atender à demanda emergente.
A cadeia produtiva da celulose, que se inicia com a plantação de mudas e passa por várias etapas até a operação de fábricas, já começa a influenciar a economia local. Novas oportunidades de emprego surgem para auxiliares de campo, motoristas, mecânicos e eletricistas, entre outros. O governador Eduardo Riedel (Progressistas) ressalta que a prioridade deve ser a alocação de pessoas que já residem na região, para que possam se beneficiar de novas vagas.
A lei que instituiu o Vale da Celulose identificou Água Clara e Santa Rita do Pardo como estratégicas para articulação entre produção florestal e formação profissional. Apesar da população restrita, cada nova vaga formada em cursos profissionalizantes representa uma mudança significativa no cotidiano das famílias locais.
Dados apontam que no último ano um processo seletivo em Água Clara anunciou 20 vagas para auxiliares de campo, enquanto em setembro de 2026, Santa Rita do Pardo divulgou 53 oportunidades para diferentes atividades florestais.
No entanto, os desafios persistem. Em Água Clara, em 2025, foram registradas 6.279 admissões e 6.371 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 92 empregos. Este cenário revela uma incessante movimentação de trabalhadores entre diferentes setores, impactando diretamente a estabilidade financeira das famílias.
A qualificação profissional é fundamental neste processo, com programas disponíveis para preparar os indivíduos para funções mais especializadas. O governador Riedel destaca que a formação técnica deve alinhar-se com as necessidades das empresas, para que a qualificação apenas não se converta em um papel sem utilidade no mercado de trabalho.
Os cursos promovidos pelo MS Qualifica e pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul buscam suprir as lacunas existentes. Em Água Clara, por exemplo, cursos de mecânica de manutenção de máquinas agrícolas foram oferecidos, com um investimento próximo de R$ 3 milhões para capacitar 1.420 trabalhadores. Este enfoque é vital, já que as florestas plantadas exigem trabalhadores treinados para operação e manutenção de equipamentos.
Além disso, a situação educacional dos candidatos é outra questão relevante. Muitos trabalhadores necessitam de formação básica antes de se qualificarem tecnicamente. Em 2025, 37 pessoas participaram de um programa de Educação de Jovens e Adultos em Água Clara, enfatizando a importância de elevar a escolaridade antes de buscar especializações.
Com o crescimento da cadeia da celulose, desafios em relação à convivência entre áreas florestais, agrícolas e de preservação também emergem. O governador enfatiza que o desenvolvimento sustentável deve levar em conta os impactos ambientais e sociais, e o fortalecimento do Vale da Celulose visa integrar esses aspectos de forma harmônica.
À medida que a floresta se expande, a expectativa é que mais moradores de Água Clara e Santa Rita do Pardo se insiram nas novas vagas e construam suas carreiras de forma estável, reduzindo a rotatividade na mão de obra e garantindo uma perspectiva de futuro promissora para a região.
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