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Justiça condena dois por desvio em hospital de Ponta Porã

Justiça condena dois por desvio em hospital de Ponta Porã
Justiça condena dois por desvio em hospital de Ponta Porã

Esquema de contratos superfaturados no sistema de gestão hospitalar ocorreu entre 2016 e 2017

Dois empresários foram condenados pela Justiça Federal por desviar recursos públicos destinados ao Hospital Regional Dr. José de Simone Neto, em Ponta Porã. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os contratos firmados entre o Instituto Gerir, responsável pela administração da unidade, e uma empresa de desenvolvimento de software apresentavam sobrepreço e superfaturamento.

O esquema teria ocorrido entre agosto de 2016 e dezembro de 2017 e envolveu contratos para instalação, manutenção e gestão do sistema Gestão Inteligente em Saúde (GIS).

O juiz federal Bruno Barbosa Stamm, da 1ª Vara Federal de Ponta Porã, considerou comprovadas a materialidade e a autoria do crime de peculato-desvio. Entre as provas analisadas estão um relatório de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), além de e-mails e planilhas armazenados em um HD externo que detalhavam o controle da conta-corrente usada no esquema.

Os condenados são o tesoureiro do Instituto Gerir e o sócio-administrador da empresa contratada. O primeiro recebeu pena de dois anos de reclusão, em regime aberto, além do pagamento de dez dias-multa, cada um fixado em três salários mínimos — total de R$ 48.630. Já o sócio-administrador foi condenado a oito meses de reclusão, também em regime aberto, e ao pagamento de três dias-multa, cada um equivalente a cinco salários mínimos, soma de R$ 24.315.

A sentença determinou ainda a reparação dos danos causados aos cofres públicos, estimados em R$ 476.973, e o pagamento de indenização por danos morais coletivos equivalente a três vezes o prejuízo ao erário — o que pode elevar o valor total da reparação a mais de R$ 1,4 milhão.

Durante o processo, o sócio-administrador da empresa prestadora de serviços confessou ter negociado diretamente o contrato com o superintendente do Instituto Gerir. Ele admitiu ter elevado o valor do serviço de implantação do sistema e de seus módulos de R$ 320 mil para R$ 720 mil, mais que o dobro do valor original. O custo mensal de manutenção, segundo a confissão, passou de R$ 12 mil para R$ 25,5 mil, também mais que o dobro, com o objetivo de embutir um sobrepreço de aproximadamente 40%.

O caso expõe a fragilidade do controle sobre contratos de gestão terceirizada em unidades públicas de saúde, financiadas com recursos do contribuinte.


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