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Riedel e Trad trocam acusações sobre corrupção em debate de MS

Riedel e Trad trocam acusações sobre corrupção em debate de MS
Riedel e Trad trocam acusações sobre corrupção em debate de MS

Governador nega encontro com banqueiro e defende gestão; quatro candidatos debatem saúde, habitação e segurança pública

O debate da TV Morena entre os candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul, realizado nesta terça-feira (29), reuniu propostas sobre saúde, habitação, segurança pública e economia, mas foi marcado por embates diretos entre o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, e o deputado federal Fábio Trad (PT), em torno de casos de corrupção. Participaram também Delcídio Amaral (PRD) e Lucien Rezende (PSOL).

A organização seguiu os critérios legais que garantem participação em debates aos candidatos de partidos ou federações com representação no Congresso Nacional, conforme a Lei nº 9.504/1997 e a Portaria nº 473 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 29 de julho de 2026. O encontro teve quatro blocos de perguntas — dois de tema livre e dois de tema determinado — além das considerações finais, com tempos definidos para pergunta, resposta, réplica e tréplica.

Logo no primeiro bloco, Trad questionou Riedel sobre investigações envolvendo a área da saúde durante o atual governo, entre elas casos ligados à Santa Casa e à Operação Gutemberg, deflagrada contra um esquema que usava a regulação de vagas de exames, cirurgias e leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) para forçar prefeituras a comprar livros paradidáticos. O petista também perguntou se o governador esteve com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em Nova York.

Riedel classificou o governo como intolerante à corrupção e citou dados da Controladoria-Geral do Estado (CGE): a integralidade das denúncias analisadas nos últimos três anos resultou em 189 sanções a empresas e R$ 25 milhões em multas — uma média de 63 sanções por ano. O governador negou o encontro com Vorcaro e disse que esteve nos Estados Unidos em busca de investimentos para Mato Grosso do Sul. Na sequência, questionou a atuação de Trad à frente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). O petista insistiu na cobrança sobre o episódio com o banqueiro e afirmou que, apesar dos números apresentados pelo governo, a população enfrenta dificuldades na saúde e nas estradas. Os dois ainda trocaram acusações de divulgação de informações falsas e de ausência de propostas durante o debate.

Riedel também perguntou a Delcídio como pretende distribuir de forma mais justa os resultados do crescimento econômico do estado. O candidato do PRD defendeu a integração de educação, saúde e segurança pública por meio da tecnologia e criticou a falta de qualificação da mão de obra local diante dos grandes projetos instalados em Mato Grosso do Sul. Riedel, por sua vez, destacou investimentos em energia, segurança alimentar e sustentabilidade como fatores que, segundo ele, têm atraído empreendimentos e gerado empregos no estado — ele citou ainda a geração de 120 mil empregos com saldo positivo como resultado da política de incentivos fiscais.

Habitação: propostas divergentes para o déficit

Lucien Rezende perguntou a Trad quais são as propostas para reduzir o déficit habitacional. O petista reconheceu a falta de investimentos em moradia no estado e disse que pretende ampliar parcerias com o governo federal, com critérios que evitem direcionamento político. Ele estimou em 78 mil o número de pessoas sem casa própria e defendeu subsídios para financiamento, regularização fundiária e prioridade para mães solo, idosos, aposentados e pessoas com deficiência.

Lucien afirmou que, dos cerca de 400 mil idosos que vivem em Mato Grosso do Sul, 40 mil não têm casa própria, segundo seu plano de governo. Propôs a construção de 80 mil moradias e a criação de um cadastro único para organizar a fila de atendimento, incluindo mulheres vítimas de violência doméstica que precisam deixar o convívio com agressores.

No último bloco, Riedel voltou ao tema e perguntou a Lucien sobre o enfrentamento do déficit habitacional. O candidato do PSOL defendeu o uso de moradias modulares — que, segundo ele, exigem menos mão de obra, são construídas mais rapidamente e têm menor impacto ambiental — e criticou a falta de planejamento do governo estadual. Riedel afirmou que, das 76 mil unidades apontadas como déficit habitacional no estado, cerca de 50 mil — quase dois terços do total — estariam relacionadas ao comprometimento da renda com o custo da moradia, e não à falta física de casas. Lucien rebateu citando quase 40 mil moradias vinculadas a programas do governo federal e defendeu maior participação do estado no atendimento a famílias de baixa renda.

Saúde regionalizada e segurança pública

Delcídio questionou Riedel sobre a regionalização da saúde, tema apontado como prioridade por 44% da população em pesquisa citada pelo candidato. Riedel afirmou que a área depende da atuação conjunta de municípios, estado e União e disse que Mato Grosso do Sul passou de um para quatro hospitais regionais nos últimos anos, com novos investimentos em Corumbá e Campo Grande. Delcídio defendeu um cadastro único para organizar atendimentos, criticou os valores pagos pela tabela do SUS e citou a sobrecarga enfrentada por cidades de fronteira, como Corumbá, que recebem pacientes de países vizinhos. Riedel respondeu que o governo trabalha para unificar as filas e que o financiamento estadual já repassa aos hospitais valores superiores aos da tabela federal.

No quarto bloco, Delcídio perguntou a Trad quais políticas adotaria diante do avanço do crime organizado. O petista afirmou que o Estado está ausente de territórios onde, segundo ele, facções avançam, e defendeu a criação de um Centro Integrado de Inteligência da Fronteira, reunindo forças de segurança e órgãos de fiscalização para combater as fontes de recursos das organizações criminosas. Delcídio defendeu a retomada do Centro Integrado de Segurança da Fronteira (Cisfron), com investimentos em monitoramento por satélite, drones e câmeras, além da contratação de policiais militares e civis aprovados em concurso. Trad, na tréplica, defendeu a valorização das polícias Militar, Civil e Penal e da perícia criminal, e criticou a política salarial da gestão Riedel, classificada por ele como modelo "privatista".

Outros temas também dividiram os candidatos ao longo dos quatro blocos: reforma tributária e incentivos fiscais, educação em tempo integral, logística de transportes e o Corredor Bioceânico, industrialização e projetos de celulose, preservação ambiental no Pantanal, agricultura familiar e prevenção ao feminicídio — este último com propostas como o Pelotão Maria da Penha e monitoramento eletrônico de agressores, defendidas por Trad, e aluguel social e delegacias com atendimento 24 horas, propostos por Lucien.


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