Consórcio Guaicurus é vendido para empresa goiana e negócio depende de aval do município
Transferência de controle do transporte público de Campo Grande exige aprovação da Prefeitura, que promete condicionar aval a metas de investimento na frota
Campo Grande — O grupo goiano HP Mobilidade acertou a aquisição das empresas integrantes do Consórcio Guaicurus, concessionária responsável pela operação do transporte coletivo urbano na capital sul-mato-grossense. A mudança de controle acionário, contudo, não possui efeito imediato sobre a concessão pública. Para que a transição se efetive juridicamente, a operação precisa de autorização expressa da Prefeitura de Campo Grande, que adiantou que irá condicionar o aval a compromissos firmes de aportes financeiros e melhorias operacionais no sistema.
A administração municipal confirmou ter sido notificada sobre as tratativas privadas nesta terça-feira (21), sem que houvesse comunicação prévia por parte das empresas envolvidas. Diante do anúncio, a gestão pública enfatizou que a troca de comando não interrompe e nem anula o processo de intervenção em curso na concessionária, iniciado no mês de junho com prazo de vigência de 180 dias. Uma comissão interventora segue auditorando as finanças e o funcionamento da prestação do serviço para assegurar a continuidade do transporte à população.
Para obter a validação legal da Prefeitura, os novos controladores terão de apresentar um cronograma detalhado de trabalho e assinar metas formais de investimento na modernização da frota. Trata-se da primeira venda integral da concessão registrada na história do transporte coletivo da Capital. Paralelamente, o município acompanha os desdobramentos judiciais relacionados à gestão financeira da intervenção, cujos recursos continuam sendo monitorados sob regras fixadas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
"Como nós fomos surpreendidos com essa comercialização, eu não tenho como travar uma data, mas nós temos como trabalhar agora, dentro deste processo, para antecipar ações", declarou a prefeita Adriane Lopes ao comentar a estratégia do município frente à mudança de controle acionário.
A operação ocorre simultaneamente à fase de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, dispositivo previsto a cada sete anos para reavaliar a sustentabilidade financeira da operação. Em posicionamento oficial encaminhado em nota, a compradora ressaltou que as negociações dependem dos trâmites regulatórios vigentes. "Com relação ao processo de aquisição do Consórcio Guaicurus, o Grupo HP informa que ainda existem etapas a serem vencidas, incluindo a aprovação dos órgãos competentes, para que a operação possa ser concluída", destacou a companhia.
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