Campo Grande abre causa de beatificação de padre João Crippa
Sacerdote italiano que fundou a Paróquia São José pode se tornar o primeiro santo de Mato Grosso do Sul
Campo Grande sedia nesta terça-feira (20) a abertura oficial do Inquérito Diocesano da Causa de Beatificação do padre João Crippa, sacerdote italiano que dedicou décadas de missão religiosa a Campo Grande e Três Lagoas. A sessão solene começa às 18h na Paróquia São José, seguida de missa em ação de graças às 19h, presidida pelo arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa.
A cerimônia reúne figuras centrais do processo canônico. Vem de Roma o postulador da causa, Paolo Vilotta, responsável por conduzir a investigação junto ao Vaticano. Também participam Dom André Alves dos Santos, presidente da Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI), e os vice-postuladores padre Paulo Roberto, pároco da Paróquia São José, padre Tiago Figueiró, da Missão Salesiana de Mato Grosso, e o professor Fábio do Vale, biógrafo e pesquisador da trajetória do sacerdote.
Com a abertura do inquérito, Crippa passa a ser reconhecido pela Igreja Católica como Servo de Deus — título conferido a quem tem causa de beatificação formalmente iniciada. Ele se torna o primeiro a receber essa designação em Mato Grosso do Sul.
O processo diocesano vai reunir documentos e depoimentos para investigar a vida, as virtudes e a fama de santidade do sacerdote entre os fiéis, que atribuem a ele graças alcançadas por intercessão. Concluída essa etapa, o material segue para análise segundo as normas da Igreja e pode ser encaminhado ao Vaticano — passo que, se avançar, abre caminho para a beatificação e, mais adiante, a canonização.
Nascido em 10 de outubro de 1861, na cidade de Asso, na região da Lombardia, na Itália, João Crippa ingressou na formação salesiana em 1885, período em que teve contato direto com São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana. Foi ordenado sacerdote em 17 de fevereiro de 1894.

Depois de atuar no Uruguai e em instituições salesianas de São Paulo, o religioso chegou à região de Mato Grosso em 1912. Passou por Cuiabá, onde participou de iniciativas junto ao povo indígena Bororo, e depois por Aquidauana, Miranda, Campo Grande e Três Lagoas, na expansão da missão salesiana pelo sul do então estado de Mato Grosso.
Em Campo Grande, Crippa deixou sua marca mais duradoura. Em 1925, adquiriu os dois primeiros lotes para erguer o Oratório São José, a "Capelinha", espaço de catequese e convivência para crianças e jovens inspirado no modelo dos oratórios festivos de Dom Bosco. Com o crescimento da comunidade, lançou em 15 de maio de 1938 a pedra fundamental de uma igreja maior — templo que não chegou a ver concluído: a construção terminou apenas em 1949 e deu origem à atual Paróquia São José, palco da cerimônia desta terça-feira.

O sacerdote morreu em Três Lagoas, em 1º de agosto de 1941, aos 79 anos. Seus restos mortais estão sepultados em uma capela no interior da Igreja São José, em Campo Grande, onde mantêm viva a memória do sacerdote entre os fiéis.
A movimentação em torno da causa ganhou força em março de 2024, durante visita a Campo Grande do então reitor-mor dos Salesianos, cardeal Ángel Fernández Artime. Se a investigação avançar e os requisitos da Igreja forem cumpridos, João Crippa poderá ser beatificado e, mais à frente, canonizado — tornando-se, caso declarado santo, o primeiro de Mato Grosso do Sul.
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