Voltar para a página inicial Mato Grosso do Sul

Pecuária de Mato Grosso do Sul mantém fôlego e se aproxima de recorde

Pecuária de Mato Grosso do Sul mantém fôlego e se aproxima de recorde
Pecuária de Mato Grosso do Sul mantém fôlego e se aproxima de recorde

Mesmo com oscilações no preço da arroba em junho, valorização dos animais de reposição e exportações aquecidas sustentam o bom desempenho do setor

Campo Grande — O mercado pecuário de Mato Grosso do Sul registrou forte atividade no primeiro semestre de 2026, sustentado por um volume expressivo de abates e pela valorização consistente dos animais de reposição. De acordo com a edição de julho do Boletim SIGABOV, elaborado pelo Sistema Famasul, o setor mantém um ritmo robusto de produção, com preços superiores aos do ano passado, mesmo diante de ajustes pontuais nas cotações da arroba em junho.

Nos primeiros seis meses do ano, o estado registrou o abate de 2,08 milhões de bovinos. O montante representa uma ligeira retração de apenas 1% em relação ao recorde histórico registrado no mesmo período de 2025, mas se posiciona 10% acima da média dos últimos cinco anos, o que consolida a resiliência da atividade no estado.

A composição do rebanho destinado aos frigoríficos começou a mostrar mudanças no encerramento do semestre. Segundo Diego Guidolin, consultor técnico em pecuária do Senar/MS, o mês de junho apresentou uma participação mais expressiva de machos jovens, sobretudo na faixa de 13 a 24 meses, acompanhada de uma redução no abate de fêmeas em relação ao acumulado do ano.

"Esse comportamento indica uma oferta consistente de animais terminados, em um cenário de demanda firme por carne bovina. As exportações continuam em ritmo elevado, com junho registrando o maior volume embarcado do ano para Mato Grosso do Sul, o que contribui para manter o bom desempenho da cadeia pecuária no Estado", analisa Guidolin.

No segmento de reposição, a valorização anual é nítida. O preço médio do quilo do bezerro acumulou alta de 16% na comparação interanual com junho de 2025, enquanto as bezerras avançaram 19%. Outras categorias, como garrote, boi magro, novilha e vaca magra, também acompanharam a trajetória de alta no período.

De acordo com Guidolin, a melhora na relação de troca entre o boi gordo e o bezerro favoreceu a reposição dos rebanhos nos últimos meses. A menor oferta de bezerros no mercado local mantém as cotações em patamares elevados, registrando ganho real acima da inflação acumulada nos últimos 12 meses.

No mercado de terminação, a arroba do boi gordo registrou um recuo de 2% em junho na comparação direta com maio. O movimento, contudo, não anula a força do setor: o valor médio seguiu 10% acima do patamar de junho do ano passado, figurando entre os maiores valores nominais da série histórica estadual. Fatores como a aproximação do preenchimento da cota tarifária chinesa pressionaram as cotações ao longo do mês.

A sustentação dos preços também foi influenciada pelas escalas de abate curtas em junho. O Boletim SIGABOV aponta que o equilíbrio entre oferta regulada e demanda externa deve continuar ditando o ritmo da pecuária sul-mato-grossense nos próximos meses.


Pantanews — Informação regional em tempo real.

Anuncie Aqui Alcance milhares de leitores em todo o Mato Grosso do Sul
Compartilhar