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Operação Lívia apreende seis adolescentes suspeitos de induzir jovens ao suicídio na internet

Operação Lívia apreende seis adolescentes suspeitos de induzir jovens ao suicídio na internet
Operação Lívia apreende seis adolescentes suspeitos de induzir jovens ao suicídio na internet

Ação policial atinge cinco estados e expõe dinâmica de chantagem e busca por notoriedade extrema em comunidades fechadas

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (15) a segunda fase da Operação Lívia, apreendendo seis adolescentes apontados como integrantes de redes virtuais focadas em induzir jovens à automutilação e ao suicídio. Os mandados atingiram alvos no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

A ofensiva é um desdobramento direto da morte de Lívia, uma adolescente sul-mato-grossense de 13 anos, ocorrida em julho de 2026 após uma transmissão ao vivo. Para as autoridades, o caso representou o ápice da violência buscada pelos suspeitos, que se organizavam em comunidades online restritas conhecidas como "panelas".

O núcleo desses grupos, formado em quase sua totalidade por menores de idade — aproximadamente nove em cada dez identificados até o momento —, operava sob uma lógica de busca por notoriedade. A investigação da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) detalha que o prestígio, tratado internamente como "hype", era medido pelo nível de extremismo do conteúdo gerado.

A cooptação de novas vítimas ocorria por meio de redes sociais. Os recrutadores estabeleciam um contato inicial amistoso, muitas vezes forjando identidades para espelhar a idade ou o gênero do alvo e ganhar confiança. Diante de recusas em participar dos chamados "eventos" de violência, o grupo recorria à coerção psicológica, utilizando dados pessoais, telefones e fotografias de familiares para intimidar os jovens.

O ambiente digital onde parte da articulação ocorria tornou-se alvo central de escrutínio. O Discord, plataforma frequentemente utilizada pelas redes investigadas, declarou que o servidor ligado ao caso de Mato Grosso do Sul era um espaço privado, cujo acesso dependia exclusivamente de convite. A estrutura, segundo a empresa, foi desativada antes do óbito da adolescente.

A companhia pontuou que "indivíduos envolvidos em atividades criminosas tenham incentivado a automutilação" no local, mas atribuiu o evento com morte a um serviço de terceiros. A alegação baseia-se em indícios supostamente compartilhados pelo governo federal. Atualmente, os recursos de comunicação por vídeo em tempo real do Discord encontram-se bloqueados no território nacional.

Questionada sobre a moderação de conteúdo, a plataforma negou falta de cooperação com as autoridades e rechaçou apontamentos da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A empresa afirma usar "uma combinação de tecnologia avançada e equipes de segurança especializadas para identificar e remover proativamente conteúdos que violem nossas políticas", ressaltando que as negociações sobre os termos de atuação foram encerradas pela Advocacia-Geral da União (AGU).

A delegada Anne Karine Sanches Trevizan, com apoio do CyberLab, mantém o foco em rastrear a totalidade dos envolvidos na rede. As diligências atuais nasceram da análise técnica de celulares e equipamentos apreendidos na primeira etapa da operação.


Pantanews — Informação regional em tempo real.

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