Ex-deputado Neno Razuk é preso na Bolívia após quase um mês foragido
Condenado a 15 anos de prisão na Operação Successione, o ex-parlamentar apresentou CNH brasileira ao ser abordado por policiais no país vizinho
Bolívia — O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), foi localizado e preso pela polícia boliviana neste domingo (2), após permanecer quase um mês foragido da Justiça brasileira. O ex-parlamentar era procurado desde 8 de julho, data em que foi expedido o mandado de prisão decorrente de sua condenação em primeira instância no âmbito da Operação Successione.
A abordagem ocorreu durante uma fiscalização em território boliviano. Ao ser parado pelas autoridades locais, Razuk apresentou uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) emitida no Brasil. Durante a conferência dos dados de identificação, constatou-se a existência do mandado de prisão em aberto expedido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, o que resultou na detenção imediata do ex-deputado.
Após o cumprimento da ordem judicial, as autoridades deram início aos procedimentos formais de cooperação internacional para viabilizar a transferência de Neno Razuk ao território brasileiro. O processo de recambiamento deve ser conduzido pela Polícia Federal em articulação com o governo boliviano e a Justiça brasileira.
A inclusão do nome de Neno Razuk nos sistemas de cooperação policial internacional ocorreu após a Justiça sul-mato-grossense identificar indícios de que o ex-parlamentar havia deixado o Brasil para evitar o cumprimento da sanção penal. Antes da captura, a defesa do ex-deputado tentou reverter a ordem de prisão por meio de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), mas o pedido liminar foi indeferido. Em outra frente, os advogados impetraram mandado de segurança no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) buscando restabelecer o mandato e o foro por prerrogativa de função, recurso que foi rejeitado por unanimidade pela Corte eleitoral.
Neno Razuk foi condenado a mais de 15 anos de reclusão pelos crimes de organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho. Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MP-MS), o ex-deputado integrava o núcleo de comando de uma estrutura criminosa voltada ao domínio do jogo ilegal, lavagem de dinheiro e atos de corrupção no Estado. Com a prisão realizada na Bolívia, o ex-parlamentar aguarda os trâmites de repatriamento para ficar à disposição da Justiça brasileira.
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