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Missa em Dourados homenageia doadores de órgãos e destaca urgência de autorização familiar

Missa em Dourados homenageia doadores de órgãos e destaca urgência de autorização familiar
Missa em Dourados homenageia doadores de órgãos e destaca urgência de autorização familiar

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebração na Catedral Imaculada Conceição busca conscientizar sobre fila de mais de 800 pacientes em Mato Grosso do Sul.

Dourados — A decisão de autorizar a doação de órgãos, frequentemente tomada pelas famílias durante o luto agudo, será o centro de uma homenagem neste domingo (27), às 8h, na Catedral Imaculada Conceição. A missa em ação de graças reconhecerá publicamente o gesto de doadores e seus familiares. A iniciativa, encabeçada pela Fundação de Serviços de Saúde (Funsaud) e pela Organização de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (OPO), integra as ações do Dia Nacional da Doação de Órgãos e da campanha Setembro Verde.

O evento lança luz sobre um cenário de avanços locais contrastados por gargalos crônicos no estado. Em Dourados, o índice de doações subiu de 13 registros em todo o ano de 2025 para 15 captações até setembro de 2026. As intervenções mais recentes ocorreram nesta quinta-feira (24), envolvendo um adulto e um adolescente de 14 anos, ambos diagnosticados com morte encefálica.

Apesar da estatística local favorável, Mato Grosso do Sul enfrenta um déficit crítico. Mais de 800 pessoas aguardam por um procedimento no estado, onde 326 cirurgias foram viabilizadas em 2026. O principal obstáculo segue sendo a resistência: seis em cada dez famílias sul-mato-grossenses negam a autorização para a retirada dos órgãos.

O protocolo médico para a captação exige a comprovação de morte encefálica irreversível, atestada por exames rigorosos e profissionais distintos. Apenas após a confirmação clínica a família é abordada. No Brasil, não existe um cadastro oficial automático, e o desejo manifestado em vida pela vítima depende integralmente da aprovação dos parentes no momento do óbito.

Para a coordenadora da OPO de Dourados, a enfermeira Ludelça Dorneles, a comunicação prévia no ambiente domiciliar é a principal ferramenta de conscientização. Ela argumenta que conversar sobre o tema poupa as famílias de decidir no escuro. "A doação de órgãos é um gesto de solidariedade e amor ao próximo, que permite que muitas pessoas possam ter uma nova chance de vida", explicou a profissional de saúde.

Em escala nacional, os números operam em outra dimensão de gravidade. O Ministério da Saúde calcula que mais de 60 mil brasileiros esperam na fila, que avança lentamente para órgãos como coração, pulmões, fígado e rins. Um único doador diagnosticado com morte encefálica pode fornecer múltiplos órgãos e tecidos, impactando até oito pacientes. Simultaneamente, interessados em doar medula óssea — um processo em vida, indolor e com tecido regenerável — podem se registrar mediante exames sanguíneos na rede nacional de hemocentros.


Pantanews — Informação regional em tempo real.

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