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Ato na Avenida Afonso Pena teve clima de comício e guerra de bandeiras partidárias

Ato na Avenida Afonso Pena teve clima de comício e guerra de bandeiras partidárias
Ato na Avenida Afonso Pena teve clima de comício e guerra de bandeiras partidárias
Participantes reclamaram da falta de cartazes contra Moraes e do excesso de propaganda eleitoral

O evento realizado neste 7 de Setembro nos altos da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, foi anunciado como uma mobilização contra o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o que se viu no local esteve muito mais próximo de um grande comício eleitoral.

Para quem acompanhou a movimentação, não parecia uma manifestação verdadeiramente concentrada no “Fora Moraes”, no impeachment de Lula ou de Alexandre de Moraes, tampouco um ato firme contra a chamada “ditadura da toga”. As pautas nacionais acabaram ofuscadas pela disputa eleitoral de Mato Grosso do Sul.

O espaço foi ocupado por cabos eleitorais, equipes de campanha, candidatos e uma enorme quantidade de bandeiras de partidos e coligações. Em diversos momentos, a Avenida Afonso Pena parecia palco de uma verdadeira guerra de bandeiras, na qual cada grupo tentava garantir maior visibilidade para seu candidato.

A situação provocou incômodo entre pessoas que compareceram esperando participar de uma manifestação popular. Entrevistada durante o evento, dona Márcia bairro giocondo orsi reclamou que, ao perceber a ausência de cartazes com a mensagem “Fora Moraes”, decidiu se retirar e voltar para casa.

Outro participante, seu José da Costa do bairro cidade jardim, contou que chegou ao local motivado pela expectativa de acompanhar um protesto contra os abusos atribuídos ao Judiciário, mas se sentiu desanimado ao perceber que os discursos tinham caráter predominantemente eleitoral.

Dona Joana, moradora do Bairro jardim dos estados, afirmou que levou sua bandeira do Brasil e preparou o próprio cartaz de cartolina com a mensagem “Fora Moraes”. Segundo ela, ao chegar à Avenida Afonso Pena, ficou acuada diante da quantidade de bandeiras de candidatos. A participante relatou que sequer conseguiu enxergar o trio elétrico, pois os materiais partidários levantados à sua frente bloqueavam completamente a visão.

As bandeiras do Brasil, que tradicionalmente simbolizam as manifestações da direita, dividiram espaço com materiais eleitorais de candidatos a deputado estadual, deputado federal, senador e governador. A cobrança por liberdade, justiça e equilíbrio entre os Poderes acabou ficando em segundo plano diante da propaganda política.

Embora tenham sido registradas algumas palavras de ordem contra Lula e Moraes e manifestações de apoio ao ministro André Mendonça, o cenário predominante era claramente eleitoral. Havia mais esforço para levantar bandeiras de candidatos do que para apresentar uma cobrança popular organizada por impeachment e contra os abusos do Judiciário.

Para parte dos cidadãos que compareceu acreditando que participaria de um protesto espontâneo, ficou a frustração. Não foi a manifestação popular esperada por muitos conservadores, mas um comício de candidatos em plena Avenida Afonso Pena, marcado por cabos eleitorais, discursos de campanha e uma disputa ostensiva para descobrir qual grupo conseguia levantar mais bandeiras.
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