Acolhimento estruturado em Campo Grande atrai famílias migrantes em busca de estabilidade
Com apoio técnico da assistência social municipal e cofinanciamento público, unidades de acolhimento oferecem suporte de moradia e educação para estrangeiros vulneráveis
Campo Grande — Famílias estrangeiras vindas de diferentes nações sul-americanas têm recorrido à infraestrutura de acolhimento da capital sul-mato-grossense nesta segunda-feira para obter regularização e restabelecer sua autonomia financeira. Por meio de uma atuação conjunta entre a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania e a Casa Resgate, migrantes vulneráveis recebem abrigo temporário, triagem e encaminhamento para as redes formais de ensino e trabalho.
A colombiana Luisa Fernanda Garcia Luna, de 26 anos, relata que a escalada da violência urbana em seu país de origem inviabilizou a continuidade dos negócios que mantinha no setor de transportes. Diante do cenário de insegurança coletiva, ela, o marido e os dois filhos, de 7 e 10 anos, cruzaram a fronteira nacional por Corumbá com destino planejado à Capital.
"Vivíamos com medo. Nosso maior receio era pelos nossos filhos. Queríamos um lugar onde eles pudessem crescer em segurança, estudar e ter oportunidades", detalha Luisa Fernanda. Atualmente instalada no município, a família obteve a integração das crianças na Rede Municipal de Ensino, etapa considerada fundamental para o processo de adaptação local. Segundo ela, o suporte recebido superou as expectativas iniciais: "Aqui encontramos pessoas dispostas a ajudar e a nos dar uma nova oportunidade".
O fluxo migratório também engloba profissionais independentes em busca de ordenamento social para seus dependentes, como ilustra o caso da equatoriana Marta Garcia, de 47 anos. Natural de Guayaquil, a escritora e produtora de conteúdo cruzou o território boliviano antes de se estabelecer no Brasil, motivada pela necessidade de fixar residência estável para o filho de 11 anos.
"O Brasil abriu as portas para nós. Quando chegamos aqui, sentimos que era possível recomeçar."
A declaração de Marta Garcia reforça a importância de um ambiente pacificado para o desenvolvimento infantil. A escritora enfatiza que o menor necessitava criar raízes, fazer amigos e manter uma rotina previsível, demandas atendidas pela previsibilidade urbana encontrada no município.
De acordo com as diretrizes operacionais da Casa Resgate, o período de permanência na unidade de passagem estende-se por até 90 dias, intervalo dedicado à reorganização documental e inserção dos abrigados no mercado produtivo. A estrutura oferece instalações completas de lavanderia, refeitório e áreas de socialização, mitigando o impacto inicial do deslocamento forçado, que frequentemente ocorre por longas jornadas rodoviárias ou caminhadas.
A técnica da instituição, Jéssica Thaynara Rodrigues, aponta que o perfil dos atendidos varia entre indivíduos de passagem curta e núcleos familiares decididos a se fixar definitivamente na região. "Nosso papel é oferecer acolhimento e ajudá-las a reconstruir suas vidas", afirma a profissional, lembrando que muitos chegam desprovidos de recursos básicos ou contatos prévios. O custeio das atividades é mantido por um arranjo de cofinanciamento que envolve o orçamento da Prefeitura de Campo Grande, emendas parlamentares e suporte complementar da sociedade civil.
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